PUBLICIDADE

Pesquisa Barna: Metade dos fiéis Avalia que pastores não compreendem Famílias Modernas

Família cristã rezando na igreja. Foto: freepik

Levantamento global indica que a rápida transformação das configurações familiares desafia a abordagem pastoral e as estruturas de apoio nas comunidades cristãs.

Uma pesquisa recente da Barna Research, uma renomada organização de estudos sobre fé e cultura, revelou que 50% dos cristãos e frequentadores de igrejas nos Estados Unidos consideram que seus pastores não compreendem plenamente as nuances das famílias contemporâneas, especialmente as que se afastam do modelo tradicional. O levantamento intitulado “The State of Today’s Family” aponta para uma significativa lacuna de entendimento, com implicações relevantes para as comunidades eclesiásticas, incluindo o cenário brasileiro.

Aprofundando os dados, o estudo da Barna indicou que, embora metade dos entrevistados afirme que seus líderes religiosos demonstram compreensão sobre as vivências de famílias reconstituídas e estruturas familiares diversas, 27% manifestaram discordância e 23% permaneceram incertos. Essa divisão interna sugere um desafio persistente dentro das próprias congregações em relação à percepção do apoio pastoral.

Embora conduzida nos EUA, a pesquisa ressoa com a realidade das igrejas evangélicas no Brasil, onde as configurações familiares também passaram por profundas transformações. A tradicional “família nuclear” — tipicamente composta por pai, mãe e filhos biológicos ou adotivos vivendo juntos — tem cedido espaço a modelos diversos. Dados demográficos globais e nacionais confirmam o aumento de lares monoparentais, casais recasados, indivíduos solteiros que adiaram o casamento, adultos sem filhos e avós responsáveis pela criação de netos. Essas realidades já são parte integrante do panorama das comunidades cristãs brasileiras.

A Barna Research atribui parte dessa lacuna à discrepância entre o perfil da maioria dos pastores e a diversidade familiar da congregação. O estudo revela que 91% dos pastores são casados e 90% têm filhos, um padrão que naturalmente os alinha com o modelo familiar tradicional. Embora essa experiência fortaleça sua capacidade de discipular casais e pais, pode inadvertidamente criar “pontos cegos” no cuidado pastoral dedicado a outras realidades presentes em suas igrejas.

No contexto prático, isso se reflete em diversas esferas da vida eclesiástica. Horários de cultos, programas de ministério, pequenos grupos e até mesmo as mensagens do púlpito, muitas vezes, pressupõem o modelo tradicional como a norma ou o ideal a ser alcançado. Embora a valorização do casamento e da “família bíblica” permaneça como um pilar central para muitas denominações, especialistas e o próprio estudo da Barna alertam para a necessidade de equilibrar boas intenções com uma sensibilidade pastoral ampliada. Manuais e estratégias focadas exclusivamente na família nuclear correm o risco de não alcançar ou até marginalizar uma parcela significativa dos membros.

Para mitigar esses desafios, a pesquisa incentiva líderes religiosos a reavaliar suas estruturas e práticas, questionando quem se sente verdadeiramente incluído na programação da igreja e quem pode estar sendo inadvertidamente invisibilizado. Um diálogo intencional com membros em diferentes estágios da vida – incluindo solteiros, casais sem filhos, famílias reconstituídas e idosos que assumem a guarda de netos – é apontado como um caminho para que os pastores ampliem sua perspectiva e fortaleçam o senso de pertencimento comunitário. A Barna, por meio de sua Iniciativa Famílias Prósperas, disponibiliza recursos e dados atualizados para apoiar as igrejas nessa jornada de adaptação e compreensão da realidade familiar contemporânea.

Fonte: https://jmnoticia.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE