Em evento conservador, Reverendo Douglas Wilson repreende publicamente a podcaster Candace Owens e reforça a incompatibilidade do preconceito anti-judaico com os princípios fundamentais da fé.
O reverendo Douglas Wilson, pastor sênior da Christ Church, localizada em Moscow, Idaho, proferiu uma contundente condenação ao antissemitismo, classificando-o como ‘apostasia’ dentro da fé cristã. A declaração ocorreu durante a AmericaFest, evento anual da Turning Point USA em Phoenix, Arizona, e incluiu uma repreensão pública à podcaster conservadora Candace Owens e a outros participantes.
Em sua intervenção, Wilson não se limitou a um alerta genérico, mas dirigiu sua crítica a figuras como Candace Owens, conhecida por posições que, segundo observadores, flertam com narrativas anti-judaicas. Ao rotular o antissemitismo como “apostasia”, um termo que na teologia cristã designa a renegação ou abandono da fé em que se acreditava, o reverendo enfatizou que tal preconceito não é apenas um erro moral, mas uma grave infidelidade aos preceitos fundamentais do cristianismo. Ele argumenta que a fé cristã, intrinsecamente ligada às suas raízes judaicas, não pode coexistir com o ódio a este povo.
A AmericaFest, organizada pela Turning Point USA, serve como um importante fórum para jovens conservadores e figuras influentes do movimento nos Estados Unidos. O palco do evento foi escolhido por Wilson para abordar a sensível questão, reverberando amplamente nos círculos conservadores e religiosos. Sua fala sublinhou a necessidade premente de os cristãos refletirem criticamente sobre suas posições, evitando ceder a preconceitos históricos ou doutrinários.
Wilson também aprofundou a discussão, analisando as diversas correntes cristãs em relação ao Estado moderno de Israel e ao povo judeu. Ele mencionou o Sionismo Cristão, uma vertente que, baseada em uma leitura escatológica do Antigo Testamento, defende o direito do povo judeu à terra de Israel e o apoio ao Estado como cumprimento de profecias bíblicas, predominante em denominações evangélicas. No polo oposto, a Teologia da Substituição (ou Supersessionismo) interpreta que a Igreja Cristã teria substituído Israel como povo escolhido, uma visão que, embora não inerentemente antissemita, foi historicamente mal utilizada para justificar perseguições e o desprezo aos judeus. O reverendo ressaltou que, independentemente da interpretação teológica, o antissemitismo é inadmissível e contraditório ao espírito evangélico.
A condenação de Wilson serve como um lembrete veemente da inaceitabilidade de qualquer forma de hostilidade contra o povo judeu para uma parcela significativa da liderança cristã. Ele sublinha que o antissemitismo desonra a herança judaica do cristianismo, visto que Jesus Cristo e os primeiros apóstolos eram judeus. Além disso, as Escrituras, incluindo o Novo Testamento (como em Romanos 9-11), alertam contra o orgulho e a arrogância dos gentios cristãos em relação a Israel. Para Wilson, o combate ao antissemitismo não é apenas uma questão social ou política, mas uma exigência teológica e moral intrínseca à fé cristã autêntica.
Ao categorizar o antissemitismo como ‘apostasia’, Wilson convoca a comunidade cristã global a uma introspecção crítica. Teologicamente, aceitar ideias anti-judaicas corrói a integridade do evangelho e desvaloriza a promessa divina a Israel. Eticamente, compromete o testemunho cristão de amor, justiça e reconciliação. A posição do reverendo reforça que a fé verdadeira exige amor que transcenda barreiras étnicas e históricas, rejeitando ideologias de ódio e promovendo a paz e o entendimento mútuo em um mundo frequentemente dividido.