Tecnologia inovadora oferece maior precisão no diagnóstico precoce do Papilomavírus Humano, fortalecendo a prevenção para mulheres de 30 a 49 anos e alinhando-se à meta global de eliminação da doença.
Belém, capital do Pará, tornou-se a primeira cidade brasileira a implementar o exame molecular DNA-HPV no Sistema Único de Saúde (SUS), um marco significativo na prevenção e detecção precoce do câncer do colo do útero. A iniciativa, que inicialmente contempla mulheres de 30 a 49 anos, prioriza aquelas que estão com os exames preventivos desatualizados ou que nunca os realizaram. O novo protocolo foi lançado no distrito Dagua, abrangendo unidades básicas de saúde nos bairros Terra Firme, Guamá, Jurunas, Cremação, Condor e Combu, visando oferecer um método mais eficaz para identificar o Papilomavírus Humano (HPV) e reduzir a incidência da doença.
O teste DNA-HPV representa um avanço em relação ao método tradicional do Papanicolau. Enquanto o Papanicolau detecta alterações celulares causadas pelo vírus, o exame molecular identifica a presença do DNA do próprio HPV, especialmente os tipos de alto risco oncogênico (como o 16 e o 18) que podem evoluir para câncer de colo de útero, muitas vezes anos antes das lesões se manifestarem. Essa detecção precoce permite intervenções preventivas mais eficazes. A recomendação para sua realização é de cinco em cinco anos, ao contrário do Papanicolau, que é anual, o que também otimiza os recursos e reduz exames desnecessários.
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) disponibilizou mil kits para as unidades selecionadas, sendo 100 deles enviados para a Ilha do Combu, onde o novo protocolo foi oficialmente inaugurado pelo Ministério da Saúde. A escolha do distrito Dagua se justifica por concentrar a maior parte da população feminina da capital, enquanto o Combu foi priorizado pela complexidade de seu contexto ribeirinho e seu valor simbólico. A adesão das moradoras da ilha tem sido notável, impulsionada pelo trabalho de agentes comunitárias de saúde.
Lucélia Monteiro, de 45 anos, dona de casa e moradora do Combu, exemplifica a importância do programa. Há dois anos sem fazer o preventivo, ela foi informada sobre a novidade e realizou o exame. “Para mim é muito importante, como para qualquer outra mulher, já que ele pode diagnosticar um possível vírus do câncer cinco anos antes de se desenvolver”, relatou Lucélia, acrescentando que a detecção antecipada proporciona maior tranquilidade e abre caminho para tratamentos preventivos.
A alta procura e a boa adesão na Ilha do Combu são dados animadores, cruciais para alcançar a meta global da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar o câncer do colo do útero até 2030. As agentes comunitárias de saúde desempenham um papel fundamental na orientação e encaminhamento das mulheres para as unidades. “Temos uma média de cinco atendimentos por dia. As pacientes confiam nas agentes comunitárias e aderem bem após a explicação sobre o exame”, afirmou uma enfermeira coordenadora municipal da Referência Técnica em Saúde da Mulher da Sesma, esperando que todos os kits sejam utilizados rapidamente.
Em caso de resultado positivo para infecção por HPV, o fluxo de acompanhamento é ágil. A análise das amostras e a emissão dos diagnósticos serão realizadas pelo renomado Instituto Evandro Chagas. A expectativa é que os resultados sejam disponibilizados em até 30 dias, podendo ser emitidos em apenas sete dias, dependendo do volume de amostras recebidas pelo laboratório.
É importante ressaltar que, enquanto a expansão do teste DNA-HPV ocorre gradativamente para outras áreas da capital, o Papanicolau permanece disponível no SUS para mulheres de outras faixas etárias. Para a realização do exame DNA-HPV, algumas orientações são essenciais: não estar em período menstrual, evitar relações sexuais 48 horas antes e não utilizar cremes ou produtos vaginais. A higiene pessoal pode ser feita normalmente. É necessário apresentar documentos como RG, CPF, Cartão SUS e comprovante de residência.
Fonte: https://dol.com.br