O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou uma expansão de 0,8% no primeiro trimestre de 2024 em comparação com o trimestre anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (4). O resultado superou as expectativas de mercado e indica uma resiliência da economia nacional, impulsionada principalmente pelo desempenho expressivo do setor de serviços e pela força do agronegócio.
O setor de serviços, que representa a maior parcela da economia brasileira, apresentou um crescimento de 1,1% entre janeiro e março deste ano. Dentre as atividades que mais contribuíram, destacam-se os transportes, armazenagem e o segmento de informações e comunicação. A agropecuária também mostrou um desempenho robusto, com alta de 2,2%, refletindo a boa colheita de diversas culturas agrícolas no período.
Em contrapartida, a indústria apresentou uma leve desaceleração, com variação nula (0,0%) no período. Essa estagnação é atribuída a fatores como o encarecimento do crédito e a demanda mais moderada por bens industriais. A indústria extrativa, no entanto, conseguiu compensar parcialmente essa lentidão, com um crescimento de 1,7%.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2023, o PIB avançou 2,4%. Essa expansão anual reflete um cenário de recuperação econômica mais consolidada, com contribuições positivas de todos os grandes setores: agropecuária (6,3%), indústria (2,1%) e serviços (2,0%).
A análise do IBGE também aponta que a formação bruta de capital fixo, um indicador de investimento, apresentou uma queda de 3,0% no trimestre. Já o consumo das famílias cresceu 1,5%, demonstrando força na demanda doméstica, enquanto o consumo do governo teve uma retração de 0,2%.
Analistas econômicos avaliam que o resultado do primeiro trimestre, embora positivo, sinaliza desafios para os próximos meses, especialmente no que diz respeito à capacidade da indústria de retomar um ritmo de crescimento mais acelerado e à sustentabilidade do consumo diante de um cenário de juros ainda elevados e inflação persistente em alguns setores.